SINOPSE

Gema é um projeto que visa apresentar a diversidade musical do Rio Grande do Sul. Em cada capítulo de sua primeira temporada, o espectador é convidado a visitar uma personagem/comunidade e conhecer parte do seu universo sonoro.

 

Gravado durante o ano de 2016, percorreu o território sul-rio-grandense, realizando vivências e interações com diferentes músicos, mestres, grupos e comunidades tradicionais.

 

Selecionado pelo edital Natura Musical Rio Grande do Sul e com financiamento do Pró-Cultura RS, Gema compreendeu a pesquisa e posterior levantamento de algumas dessas características de nossa música, tendo como resultado 10 mini-documentários, registros fotográficos, textos, entrevistas e podcasts, divulgados em website, além de uma revista publicada ao final de sua realização e distribuída, através de uma parceria com a Secretaria Estadual da Edução - RS, para escolas de todo o estado .

 

RELEASE

Uma palavra pode ter vários significados, outros tantos podem ser inventados. Aqui, nosso ponto de partida é um lugar comum: a gema - a do ovo - e tudo aquilo que essencialmente ela é e pode representar.


Segundo o dicionário, ela é ‘rica em substâncias nutritivas’. Lembrando das aulas de ciências ou fazendo uma rápida busca pela internet, surge também a ideia de embrião. Com isso, a criação, a gestação, a vida.

 

Pensando no ovo como um todo, temos a casca por fora. Uma fronteira, um limite. Algo que protege e oferece resistência. Tanto para quem tenta rompê-la de fora para dentro, como para a vida que está dentro e busca o lado de fora, onde habita uma nova possibilidade, um outro território.

Percorrer as estradas do Rio Grande do Sul em busca de nossos protagonistas e de suas músicas, e vivênciá-los, ainda que de forma breve, nos permitiu um novo entendimento sobre o conceito música. E sobre o que é ser músico.

Profissionais ou amadores, de tradições populares ou acostumados com grandes palcos, registramos pessoas que fazem música gaúcha. A música regional gaúcha. Regional, local. Mas sempre, desde sempre, desde muito antes do primeiro acorde, GLOBAL.


Assim rompemos cascas. As nossas e as dos ecossistemas por onde nossos protagonistas transitam. Buscamos ir além daquilo que um dia se definiu como a verdadeira música gaúcha. Definição pautada sob uma ótica unilateral e tendenciosa.

 

A música do Rio Grande do Sul sempre foi mais brasileira do que se imagina. Seja pelas influências do rádio ou pela influência daqueles que desbravaram outras ‘ondas’ e por aqui se chegaram. De forma recíproca, abrimos uma possibilidade para que nossos artistas mostrassem suas outras metades e pudessem, inclusive, sair um pouco de suas zonas de conforto.

 

E foi lá dentro, onde procurávamos a gema, que encontramos a música. Ou como diriam os nossos amigos Mbyas Guaranis, ‘o som da vida’, que nasce e que faz nascer, em um processo contínuo e orgânico.

 

Música de um tempo antes de agora. E para depois, para o eterno. Muitas vezes cercada de fronteiras e sob ameaças das mais diversas. Talvez por isso, os músicos que as criam sejam tão resistentes e curiosos por um mundo lá de fora, e assim como passarinhos quando nascem, querem é voar. Para longe de uma única origem, mas cada vez mais para perto do que realmente são.

 

Com a possibilidade de inscrever um projeto para a edição regional do edital Natura Musical, imediatamente pensei em dar continuidade ao trabalho iniciado em 2010, quando realizei Fésta. Com ele percorri diversos lugares do Brasil, sozinho, fazendo registros multimídia de mestres, grupos e comunidades tradicionais da cultura popular brasileira. Trabalho que rendeu prêmios e uma boa circulação com palestras e exposições de fotografias.

 

Por atuar regionalmente, o Natura Musical-RS me provocava a trabalhar algo a partir de um recorte local. Algo que, talvez por falta de coragem, nunca tivera me proposto a fazer. Pensando na grandeza deste novo projeto e na responsabilidade de realizar um trabalho vinculado a este programa de incentivo à música brasileira, convidei grandes profissionais das áreas necessárias (e coincidentemente alguns de meus melhores amigos) para formar a equipe que viria a gerar todo material que agora disponibilizamos para você.

 

Em uma possível linha do tempo, Gema é livremente inspirado em grandes projetos como as ‘Missões de Pesquisas Folclóricas’ (1938, Mário de Andrade) ou como as viagens de pesquisas e registros em busca da vida primitiva gaúcha (décadas de 1950 à 1980, J.C Paixão Côrtes). Inspira-se ainda em alguns trabalhos contemporâneos como ‘A Música do Brasil’ (2000, MTV Brasil), ‘Turista Aprendiz’ (2004,  releitura das missões de Mário de Andrade realizada pelo conjunto musical A Barca), ‘Mestres Navegantes’ (também com financiamento do programa Natura Musical), a imersão no Brasil profundo realizada por meu grande amigo e inspiração Alfredo Bello, e o recente ‘Visceral Brasil’ (2015, TV Brasil).

 

Com a equipe de Gema definida e alguns nomes em desejo para os vídeos, realizamos o difícil trabalho de definir uma linha de pesquisa e registros, nosso foco curatorial. Dez nomes aleatórios, que por motivos diferentes nos inspiravam e traziam alguma emoção, algum sentimento em especial que nos chamava para perto.

Incrivelmente todos os protagonistas de Gema, à princípio desconexos uns dos outros, se mostraram amarrados de alguma jeito. Talvez de forma inevitável. Talvez um sintoma de suas inquietudes. Sem saber ao certo, deixo para que você mesmo chegue à uma conclusão.

 

Gema é um registro multiplataforma, composto por dez mini-documentários e podcasts, que poderão ser acessados gratuitamente por meio deste site.

 

Aproveitem. Quebremos as cascas. A do mundo lá de fora e as nossas.​

Gema é um projeto que visa apresentar a diversidade musical do Rio Grande do Sul. Em cada capítulo o espectador é convidado a visitar uma personagem/comunidade e conhecer parte do seu universo sonoro. Gravado durante o ano de 2016, percorreu o território sul-rio-grandense, realizando vivências e interações com diferentes músicos, mestres, grupos e comunidades tradicionais. Selecionado pelo edital Natura Musical Rio Grande do Sul, Gema compreende a pesquisa e posterior levantamento de algumas dessas características de nossa música, tendo como resultado 10 mini-documentários, registros fotográficos, textos, entrevistas e podcasts, divulgados em website, além de uma revista a ser publicada ao final de sua realização.

 

PROTAGONISTAS

Cada mestre é uma gema

 

Tem gente que estuda para ser mestre. Alguns fazem imersões, residências, desenvolvem teses e teorias. Outros persistem e como se subissem uma escada, se tornam. Tem aqueles que encontram na porrada dos dias e em seus virtuosismos ‘quase jogos-de-cintura’ a sua formação. E tem também aqueles que simplesmente nascem em um ambiente permanente de aprendizado, onde os cuidados e o carinho dos mais velhos são os conteúdos essenciais, endossados pelos seus sistemas sensoriais e afetos que os presenciam e admiram. Assim, filhos de uma ecologia singular, nascem os mestres populares, de tantas culturas tradicionais que nesse imenso território criativo chamado Planeta Terra habitam e cultivam suas raízes, troncos, folhas e frutos.

 

Um mestre da cultura popular é alguém que tem em sua palavra uma pedra preciosa, um brilho, uma eternidade. É, acima de tudo, um comunicador. Desses que se comunicam principalmente de forma não-verbal, silenciosa, com um olhar ou um gesto. Ainda antes de se expressarem, possuem ouvidos atentos, são como satélites captando sinais que ao redor se manifestam. Analisam, avaliam, aproveitam o que podem e o que não lhes servem, deixam de lado. Respeitam. Trazem consigo conhecimentos ancestrais e genuínos, aprendizados que sustentam o presente e que podem ser as respostas mais puras para o futuro, que cada vez mais se anuncia assustador.

 

Não espere de um mestre de cultura tradicional o conhecimento dos livros, acadêmico. Pode ser que encontre, mas essa não é a busca. Um mestre tradicional não legitima seus saberes nas paredes da universidade ou no diploma que pendurado na parede se transforma em um elemento decorativo. O seu saber é vivo, orgânico. Não propõe verdades absolutas, mas se contrói de várias delas. Tem a riqueza dos detalhes da oralidade, mesmo que eles não sejam os mesmos dados precisos e estatísticos das páginas dos livros de história. Traz um ponto de vista crucial para uma comunidade, para uma família, para um ecossistema e, principalmente, para a sua vida, o seu sujeito coletivo.

 

São em seus convívios e territórios que colecionam os instantes que formam suas essências e caracteres. Não precisam ir para fora e nem manter olhares distantes para entender as ciências artesanais que dão luz e compõe as suas paisagens. Seus conhecimentos são de dentro para dentro, lá que a diferença que fazem é gestada, nasce e é muito bem cuidada, sendo alimentada, acalentada, protegida da força do tempo e suas mudanças e, sobretudo, amadurece. Mas, como diz o ditado, ‘um filho é algo que a gente cria para o mundo…’. Não à toa, hoje, no mundo todo, a cultura popular é um fenômeno, ocupando dissertações, espaços na televisão ou na indústria cultural. De dentro para fora, preenche e ressignifica a vida de muitas pessoas, encontra novos sentidos. 

 

Em Gema, tentamos o máximo possível penetrar o nosso estado de forma profunda. Profundidade essa que facilmente se descobre rasa, sendo apenas um fio de uma superfície que encobre ainda muitos mistérios. Foram feitos registros com dez diferentes protagonistas, sendo assim gerados conteúdos multiplataformas, como textos, fotos, vídeos documentários em curta-metragem, podcasts, site e revista. A partir de visitas e gravações itinerantes, registramos os índios Mbya Guarani da Aldeia Tekoa Guaviraty Porã, em Santa Maria; Maçambique de Osório, grupo negro com no mínimo 144 anos de atividades ininterruptas; Bandinha Típica Alemã Goela Seca, da cidade de Feliz; Mestre Paraquedas, sambista com quase 80 anos de história no carnaval de Porto Alegre; Luis Vagner, guitarreiro de Bagé que é um dos responsáveis pelo que hoje se conhece como  ‘samba-rock’; Bonitinho, o ‘guitar hero’ dos pampas; Adelar Bertussi, um dos mais icônicos e importantes acordeonistas do Brasil; Regional do Ibicuí, um grupo formado por quilombolas do Quilombo Ibicuí da Armada e seus vizinhos, lá de Santana do Livramento; Antônio Carlos de Xangô, um dos mais antigos alabês e pais de santo do Rio Grande do Sul e, por último, lá na Linha Solidão em Maquiné, Mestre Renato, mestre de terno de reis e luthier de rabecas, violinos, cavaquinhos e violões.

 

Dentro desse recorte de dez protagonistas, nem todos são considerados ou se consideram mestres, o que também pode ser muito subjetivo. Vherá Poty, jovem liderança Mbya, entende-se muito mais como um mediador entre sua tribo e os giruás (não-índios) do que como um detentor dos grandes conhecimentos de seu povo. Como ele mesmo escreve na apresentação de um livro de fotografias em que é coautor, ‘é aquele que escuta quando os mais velhos falam’. 

 

Paraquedas é mestre griô, contador de histórias, tem em sua palavra o poder do ensino e de um caminho alternativo para muitos jovens; Faustino Antônio é o Chefe do Tambor do grupo Maçambique de Osório, o que o torna, de certa forma, o mestre do grupo: a tradição está com sua famíla há gerações, já foi dançante (o último da fila), guia e, se precisar, será o Rei, função hoje ocupada por seu pai. Mestre Renato recebeu em 2009 o Prêmio Culturas Populares Dona Isabel do Ministério da Cultura, em reconhecimento ao seu trabalho; Romeo Mário Braun, da Goela Seca, diz que é o seu ‘dirigiente’; Antônio Carlos de Xangô segue formando alabês e tem filhos-de-santo mundo afora; Nilton Vaqueiro, da Comunidade Quilombola Ibicuí da Armada, é trovador, locutor de rodeios, tem o dom da palavra: é ele quem conhece e conta a saga de sua família e ensina sobre as tradições locais, como o preparo do café tropeiro.

 

Adelar Bertussi e Bonitinho, embora nascidos no interior do estado, imersos em suas culturas locais, estavam sintonizados nas ondas do rádio ou nos fluxos da fronteira, percorreram com seus ônibus boa parte do chão gaúcho e brasileiro, acumulam trocas e experiências, têm muito para ensinar. Luis Vagner, com toda a sua espiritualidade e generosidade, emociona aqueles que o acessam, seja através de sua música, seja através de seu abraço. Se oferece e se entrega por inteiro, somando na vida de quem lhe procura e permite novas amizades.

 

Assim, todos os protagonistas do projeto Gema constroem e afirmam suas identidades, por mais tortos que os seus caminhos e processos possam ter sido. Identidades, deles e de suas comunidades e/ou coletivos, que precisam ser tão respeitadas como o a atriz da telenovela em horário nobre ou o craque do seu time do coração. Não foram as características acima que nos levaram até eles – a maior parte delas desconhecíamos –, mas são elas que agora fazem com que os queiramos por perto, para sempre. Contam histórias, guardam os conhecimentos de seus antigos e com muito respeito transmitem aos mais novos, são mediadores, vivem naquilo que para muitos é apenas exótico, realizam trocas, respeitam o tempo e o espaço.

 

Dentro desta perspectiva, e dentro do que propomos em nosso projeto, cada um deles é uma vida, um embrião para que novos nascimentos – de ideias, de arte, de cultura – aconteçam, sem prazo ou data de validade. Em cada nascimento, os mesmos traços dos seus antepassados, ou misturados, como o povo e a história que se fundem e se envolvem. Para nós, são como gemas, de onde podemos esperar um alimento (para alma) ou uma vida, que nasce e que faz nascer. Ou essas duas coisas em uma só. Tal qual as culturas, histórias e tradições que personificam, são eternos. São mestres, e cada mestre é uma gema.

texto originalmente publicado na revista ArteSESC II/2016

CONTEÚDO

Por se tratar um um projeto multiplataforma, o conteúdo produzido nesta 1˚ temporada de Gema está dividido em vídeos (principais e extras) que compõe a websérie, podcasts, diários de bordo, fotografias e uma revista impressa. São linguagens diferentes, mas complementares em essência. Desta forma, em cada um destes formatos, bem como em seus canais de veiculação (redes sociais), existem conteúdos exclusivos, que se encaixam.

 

É preciso informar também que as narrativas propostas por cada um dos protagonistas também se amarram umas às outras, possibilitando interpretações, suposições e principalmente a maravilha da dúvida. Gema não tem como princípio estabelecer pontos exatos, raízes ou origens, mas sim ouvir e permitir que estes diferentes pontos de vista se tornem públicos, sem tomar juízo ou desmerecimento.

 

Todo conteúdo produzido neste projeto pode ser visualizado online (streaming), através deste site e também nas redes sociais específicas de cada formato, sendo possível também o download gratuito. Incentivamos o uso do conteúdo proposto neste projeto como material complementar em sala e aula, principalmente para as disciplinas de história, geografia, sociologia, artes e, claro, música. De qualquer forma, este conteúdo pode ser utilizado para uso particular, referências para outros trabalhos e até mesmo sessões de exibição de vídeos. 

 

Porém, como temos um compromisso legal e ético, e principalmente um enorme respeito por cada um dos protagonistas e reconhecimento pela contribuição que cada um deles oferece para a música e cultura gaúcha do Rio Grande do Sul, apenas exigimos que, em caso de uma nova distribuição deste conteúdo ou uso para sessões de vídeo, por exemplo, que tudo se dê de forma gratuita. Ainda, solicitamos que sejam mantidos os nomes de todos os profissionais envolvidos, protagonistas e patrocinadores, bem como suas marcas.

O conteúdo de GEMA é licenciado através de Creative Commons e pode ser baixado clicando aqui ou na aba superior.

 
 

FICHA TÉCNICA

A primeira temporada de GEMA foi idealizada por Lucas Luz, com realização da FÉsta e planejamento, gestão e produção executiva da Dasluzes Planejamento e Estratégias em Cultura. Em sua primeira temporada foi coproduzido com a colaboração de Francisco Cadaval, Ismael Corrêa de Oliveira, Mário Neto e Rafael Dezesseis.


Direção de Arte e Multimeios: Mário Neto
Pesquisa: Lucas Luz e Ismael Corrêa de Oliveira
Consultoria: Arthur de Faria e Pedrinho Figueiredo
Assessoria de Imprensa: Dona Flor Comunicação
Ativação de Redes Sociais: Ismael Corrêa de Oliveira
Assessoria Jurídica: Gustavo B. Côrrea
Assessoria Contábil: Marcus Arruda Marques
Logo: Mônica Kern

Vídeos
Direção e Edição: Francisco Cadaval
Câmeras: Francisco Cadaval, Mário Neto e Lucas Luz
Som Direto: Rafael Dezesseis e Ismael Corrêa de Oliveira
Entrevistas: Lucas Luz, Ismael Corrêa de Oliveira e Rafael Dezesseis
Arte: Mário Neto
Edição e Sound Design: Rafael Dezesseis
Mixagem: Ismael Corrêa de Oliveira

Podcasts
Produção: 3Girafas
Organização, edição e mixagem: Rafael Dezesseis

Website e revista
Projeto Gráfico e diagramação: Mário Neto
Textos: Lucas Luz
Fotografias: Francisco Cadaval, Mário Neto e Lucas Luz

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GEMA é um projeto idealizado e realizado por

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